Por que o Brasil usa cada vez mais defensivos sem ganhar produtividade na mesma proporção?

Entre 2010 e 2023, a aplicação de pesticidas no Brasil subiu 115,9%, passando de 5,85 kg por hectare para 12,63 kg/ha, segundo dados da FAO divulgados em julho de 2024. No mesmo período, a produtividade média de soja e milho cresceu cerca de 42,86% — de aproximadamente 2,8 para cerca de 4 toneladas por hectare —, de acordo com a Embrapa.

Qual é a dimensão do uso de defensivos no país?

O indicador Área Potencial Tratada (PAT), calculado pela multiplicação entre área cultivada e número de aplicações, superou 2,6 bilhões de hectares em 2025 — alta de 7,6% sobre 2024, ano que já havia crescido 12,2% em relação a 2023, conforme levantamento da Kynetec Brasil para o Sindiveg.

Por que o clima tropical exige tanto defensivo?

Especialistas apontam que as condições tropicais do Brasil geram elevada pressão biológica durante praticamente todo o ano. Ao contrário de regiões de clima temperado, onde o inverno reduz naturalmente a incidência de pragas e doenças, o agro brasileiro enfrenta ciclos fitossanitários mais longos e frequentes.

Quais culturas concentram o uso de defensivos?

A soja liderou em 2025 com 55% de toda a área tratada no país, seguida pelo milho (18%) e pelo algodão (7%). Sem defensivos, as perdas potenciais na cultura de soja podem chegar a 30% a 50%.

Quais são os riscos à saúde e ao meio ambiente?

Fiocruz e Abrasco criticam o uso indiscriminado de agrotóxicos, especialmente os proibidos na Europa. Em 2025, a Abrasco publicou estudo sobre a relação entre exposição a agrotóxicos e infertilidade, danos à concepção, gestação, desenvolvimento fetal e consequências pós-nascimento.

Como a tecnologia pode ajudar a reduzir a dependência de defensivos?

O pesquisador Robson Barizon, da Embrapa Meio Ambiente, defende a aplicação localizada e precisa com uso de sensores em pulverizadores, drones, satélites, modelos climáticos, bioinsumos e agricultura de precisão. O herbicida, categoria mais utilizada, é aplicado em todo o ciclo agrícola — do preparo do solo à pré-colheita —, sendo o maior alvo de ganhos de eficiência.

Pontos-chave:
  • Uso de pesticidas: +115,9% entre 2010 e 2023 (5,85 → 12,63 kg/ha, FAO)
  • Produtividade de soja e milho no período: +42,86% (Embrapa)
  • PAT em 2025: mais de 2,6 bilhões de hectares (+7,6% vs 2024)
  • Soja: 55% da área tratada; milho: 18%; algodão: 7%
  • Perdas potenciais sem defensivos na soja: 30%–50%
  • Fiocruz e Abrasco alertam para riscos à saúde e ao ambiente