Por que as empresas estão revendo contratos de nuvem?
A escassez de hardware durante a pandemia gerou uma corrida ao processamento em nuvem no início desta década. Os custos explodiram e, após anos migrando aplicações, empresas brasileiras passaram a revisar gastos e arquitetura digital.
O que está levando as empresas de volta à infraestrutura física?
Eduardo Carvalho, presidente da Equinix para a América Latina, afirma que contratações desenfreadas de altos volumes em nuvem fugiram das projeções orçamentárias, forçando muitas empresas a recuar. O câmbio desfavorável também pesou, tornando os ambientes físicos mais atraentes pela previsibilidade financeira. "Nossos data centers estão lotados", diz Carvalho. A Ascenty também registrou aumento na demanda por colocation, com seu gerente de arquitetura de soluções, Wladimir da Silva Junior, descrevendo a migração para nuvem como mais "criteriosa e estratégica".
Como funciona a estratégia multicloud?
Distribuir cargas entre vários provedores — AWS, Microsoft Azure, Google, Huawei, Oracle e IBM — força a competição entre eles, reduzindo custos e eliminando o lock-in. O Serpro iniciou sua jornada de nuvem privada em 2014 e há cinco anos opera com praticamente todos os hyperscalers. "A cada contratação para uma nova aplicação, os provedores competem entre si e os custos caem", explica Welsinner Brito, superintendente de arquitetura corporativa do Serpro.
O que muda na era do «cloud smart»?
O mercado deixa para trás o mandato de "cloud first" e adota escolhas baseadas em regulação, sensibilidade de dados e custo real. A Receita Federal exigiu que a reforma tributária utilizasse mais processamento em nuvem privada e soberana, rodando exclusivamente dentro do Serpro — um exemplo de como a legislação brasileira molda decisões de infraestrutura.
Como o FinOps ajuda a conter os custos com IA?
A inteligência artificial surge como novo vetor de aumento de custos. Para evitar surpresas, CFOs, CIOs e consultorias adotam FinOps — gestão financeira em nuvem —, com limites de consumo, monitoramento de métricas em tempo real e revisões periódicas de cargas. A consultoria CXP combina FinOps com tecnologia IBM para estabilizar gastos de empresas com crescimento exponencial de custos.
- Data centers da Equinix na América Latina estão lotados devido ao movimento de repatriação de cargas.
- Serpro opera multicloud com AWS, Azure, Google, Huawei, Oracle e IBM há cinco anos.
- Receita Federal exigiu nuvem soberana privada para processar a reforma tributária.
- Câmbio desfavorável acelera retorno a ambientes físicos com maior previsibilidade de custos.
- FinOps se consolida como prática essencial para controlar gastos com nuvem e IA.
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