Como uma mãe cega cuida da filha no dia a dia?
Mel Reis, turismóloga de 43 anos, é responsável pela maior parte da rotina de Sofia, de 2 anos: alimentação, roupas, banho e todas as atividades cotidianas. Ela construiu formas próprias de exercer a maternidade com autonomia, sem depender do marido ou da família para substituí-la no cuidado da filha.
Quais foram os desafios durante a gravidez?
Mel sempre desejou ser mãe, mas um diagnóstico de miomas e ovários policísticos trouxe obstáculos. A gravidez aconteceu aos 40 anos. Durante a gestação, ela andava com uma mão à frente da barriga para evitar impactos e redobrou a atenção ao usar a bengala. Em um episódio, chegou a cair, mas fez um "contorcionismo" para não bater a barriga no chão. Com acompanhamento obstétrico cuidadoso, a gestação transcorreu tranquilamente.
Como foi o puerpério sem poder enxergar?
Os primeiros dias foram os mais difíceis. Mel não conseguia verificar visualmente se Sofia fazia a pega correta na amamentação, se estava limpa após a troca de fralda ou se poderia escorregar no banho. Aos poucos, ela passou a confiar nos outros sentidos: prestava atenção à respiração da filha, usava o toque para verificar limpeza após a troca e aprendia a interpretar sons e movimentos. "Descobri novos jeitos de fazer as atividades", conta.
Que preconceitos ela ainda enfrenta?
Muitas pessoas presumem que o marido ou a família são os cuidadores principais. Mel rebate: "Meu marido me ajuda porque ele é o pai, não porque sou cega". Ela espera que seu relato contribua para desconstruir o equívoco de associar deficiência à incapacidade de ser mãe.
- Mel Reis tem 43 anos, é turismóloga e mãe cega de Sofia, de 2 anos.
- Engravidou aos 40 anos após diagnóstico de miomas e ovários policísticos.
- Cuida da maior parte da rotina da filha de forma autônoma.
- Adaptou-se usando tato, audição e atenção à respiração para entender as necessidades da Sofia.
- Combate o preconceito que associa deficiência visual à incapacidade materna.
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