O que provocou o novo capítulo da crise diplomática entre Brasil e EUA?
Na terça-feira, 4 de agosto de 2026, o governo Trump anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O Departamento de Estado descreveu a medida como "tratamento recíproco", em resposta à negativa do Itamaraty de conceder vistos a dois enviados americanos ao Brasil, dez dias antes.
Qual é a disputa em torno do agrément?
Por trás do imbróglio de vistos está a demora do governo brasileiro em conceder o agrément — a aprovação formal na diplomacia — a Daniel Perez, filho de cubanos indicado por Trump para chefiar a Embaixada dos EUA em Brasília. Para Washington, a lentidão brasileira é deliberada, e a revogação do visto da embaixadora é a resposta.
Como chegamos até aqui?
O desgaste começou em julho de 2025, quando Trump impôs tarifas sobre produtos brasileiros, citando o que chamou de "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Negociações aliviaram parte das tensões, e Lula foi recebido por Trump na Casa Branca em 7 de maio de 2026 — reunião de cerca de três horas que ambos classificaram como positiva. Trump chamou Lula de "muito dinâmico"; o brasileiro propôs um grupo de trabalho bilateral para disputas comerciais.
O que aconteceu depois da cúpula de maio?
Menos de três semanas depois, o senador Flávio Bolsonaro foi a Washington — viagem articulada pelo irmão Eduardo junto a aliados do governo americano. Flávio pediu a Trump que classificasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Ao longo de 2026, novos atritos envolvendo segurança pública, comércio, eleições e diplomacia foram se acumulando, até chegar à retaliação aberta desta semana.
- Visto da embaixadora Viotti revogado pelos EUA em 4 de agosto de 2026.
- Motivo declarado: reciprocidade à negativa brasileira de vistos a dois enviados americanos.
- Cerne do impasse: agrément de Daniel Perez, indicado para embaixador dos EUA, ainda não foi concedido.
- 7 de maio de 2026: Lula e Trump se reuniram por ~3 horas na Casa Branca.
- 26 de maio de 2026: Flávio Bolsonaro encontrou Trump e pediu classificação de PCC e CV como terroristas.
- Tensões começaram em julho de 2025 com tarifas e declarações sobre Bolsonaro.
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