Quem foi Tuca e por que ela foi apagada da história?

Tuca, nome artístico de Valeniza Zagni da Silva, nasceu em São Paulo em 17 de outubro de 1944 e morreu em 8 de maio de 1978, aos 33 anos. A causa da morte foi parada cardíaca provocada por inanição — consequência, segundo pesquisadores, de um regime alimentar severo ao qual ela se submeteu para atender aos padrões estéticos impostos pelo mercado fonográfico. Apesar de uma carreira que percorreu Brasil e Paris, seu nome permaneceu amplamente apagado da memória musical.

Qual foi a contribuição de Tuca para a música brasileira?

Cantora, multi-instrumentista, arranjadora e produtora musical, Tuca lançou três álbuns: Meu eu (1965), Tuca (1968) e Drácula, I love you (1974), este último considerado sua obra-prima. Em 1966, na era dos festivais, defendeu "Porta estandarte", de Geraldo Vandré e Fernando Lona, dando projeção nacional a Vandré. No mesmo ano, também apresentou "O cavaleiro", composição sua em parceria com Vandré.

O que ela fez no exílio em Paris?

Autoexilada em Paris a partir de 1971 para escapar da repressão da ditadura militar, Tuca trabalhou com grandes nomes internacionais. Fez os arranjos do álbum Dez anos depois, de Nara Leão (1942–1980), e produziu e assinou os arranjos de La question, de Françoise Hardy (1944–2024), coescrevendo com a parceira francesa a canção-título. Mesmo assim, seu nome raramente foi reconhecido nesses registros.

O que o novo livro traz de inédito?

O pesquisador Renato Gonçalves analisa a trajetória de Tuca em Tuca – A cantora lésbica exilada da história, primeiro título da coleção "Vidas sequestradas", organizada por César Braga Pinto e publicada pela Editora O Sexo da Palavra. Gonçalves mostra como Tuca construiu um discurso homoerótico pioneiro nos anos de chumbo da ditadura, em músicas como "Girl" e "Sorvete", compostas com a artista plástica Jeannette Priolli e presentes no álbum Drácula, I love you. O livro também documenta como a gordofobia sofrida por Tuca desde sua estreia, em 1962 — quando a mídia já a mencionava com referências explícitas ao corpo —, culminou na tragédia de sua morte precoce.

Pontos-chave:
  • Nome completo: Valeniza Zagni da Silva; nascida em 17 out. 1944, falecida em 8 mai. 1978
  • Causa da morte: parada cardíaca por inanição decorrente de gordofobia
  • Três álbuns: Meu eu (1965), Tuca (1968), Drácula, I love you (1974)
  • Arranjos de Dez anos depois (Nara Leão) e produção/arranjos de La question (Françoise Hardy)
  • Livro: Tuca – A cantora lésbica exilada da história, de Renato Gonçalves, Editora O Sexo da Palavra
  • Primeiro título da coleção "Vidas sequestradas", organizada por César Braga Pinto