Qual é a previsão do déficit primário do Brasil em 2026?

O governo federal revisou para baixo a estimativa de déficit primário de 2026: de R$ 60,3 bilhões para R$ 52 bilhões. A projeção consta do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas enviado ao Congresso Nacional na sexta-feira, dia 24 de julho.

Por que os precatórios entram nessa conta?

Os precatórios são pagamentos devidos pelo governo por ordem judicial. Após acordo firmado com o STF em 2023, eles ficam fora da meta do arcabouço fiscal até o fim deste ano. Somando precatórios e demais despesas excluídas por lei — saúde, defesa e educação —, o total de gastos fora da meta chega a R$ 62,8 bilhões, ante R$ 64,4 bilhões no relatório anterior.

O governo está em superávit dentro do arcabouço fiscal?

Sim. Excluindo precatórios e exceções legais, a previsão aponta superávit primário de R$ 10,8 bilhões. Por isso, o governo não contingenciou verbas neste ciclo — uma boa notícia para a execução de programas públicos.

O que muda com o desbloqueio de R$ 5,7 bilhões?

Os ministérios da Fazenda e do Planejamento liberaram R$ 5,7 bilhões que estavam bloqueados para cumprir os limites do arcabouço fiscal. Com isso, o total bloqueado do Orçamento de 2026 recuou de R$ 23,7 bilhões para R$ 17,9 bilhões. O desbloqueio não tem relação direta com a meta de resultado primário.

Quais são as principais variações de receitas e despesas?

As receitas líquidas devem superar em R$ 12,3 bilhões o valor aprovado no Orçamento, puxadas por uma alta de R$ 12,7 bilhões no Imposto de Renda, associada à inflação decorrente do conflito no Oriente Médio. Nas despesas, a variação líquida é de +R$ 4 bilhões: queda de R$ 2,9 bilhões nos gastos obrigatórios e alta de R$ 6,9 bilhões nos discricionários. As principais reduções ocorreram em pessoal (-R$ 4,2 bilhões), benefícios previdenciários (-R$ 3,2 bilhões) e BPC (-R$ 3,2 bilhões), com aumentos em saúde (+R$ 3,4 bilhões) e seguro-desemprego (+R$ 1,6 bilhão).

Pontos-chave:
  • Déficit primário previsto: R$ 52 bilhões (antes: R$ 60,3 bilhões)
  • Gastos fora da meta: R$ 62,8 bilhões
  • Superávit dentro do arcabouço fiscal: R$ 10,8 bilhões
  • Orçamento desbloqueado: R$ 5,7 bilhões; total bloqueado: R$ 17,9 bilhões
  • Imposto de Renda: +R$ 12,7 bilhões em relação ao aprovado