Qual é o verdadeiro papel dos avós no desenvolvimento das crianças?
Com mães solo, jornadas duplas e a correria das grandes cidades brasileiras, os avós tornaram-se peças centrais na rede de apoio das famílias. Para a psicóloga clínica Dina Frutuoso, autora de Memórias Afetivas e estudiosa das relações entre gerações há décadas, essa presença vai muito além da logística: avós sustentam afeto, identidade e memória.
É verdade que avó estraga neto com mimo?
Aos 86 anos, Dina descarta esse estereótipo logo de início. «Dizer que os avós estragam é preconceito. Precisamos sempre lembrar que as pessoas são diferentes, e os idosos também são muito diferentes entre si», afirma. Ela própria dormiu com a avó — analfabeta, mas sábia — dos 8 aos 22 anos, após a morte do avô, e reconhece que aquela relação foi determinante na sua formação.
O que torna a relação avós-netos tão especial?
A resposta de Dina é direta: tempo e presença. «A maioria dos filhos passa correndo. Os netos vão para a casa dos avós para ficar», explica. Na casa da vovó, a criança pode armar uma cabana com cadeiras na sala, dormir com o travesseirinho debaixo do braço e viver a infância no ritmo certo — sem pressa. Esse ambiente desacelerado transforma o lar dos avós num refúgio emocional insubstituível.
O que os netos proporcionam aos avós?
A troca é mútua. Para os avós, sobretudo numa fase em que o envelhecimento pode trazer solidão, a convivência com os netos é revitalizante. Dina defende ainda a inclusão dos bisavós nas celebrações familiares — mesmo que morem em casas de repouso —, para manter o vínculo vivo entre as gerações.
Como estabelecer limites sem gerar conflitos?
A palavra-chave, segundo Dina, é acordo. Pais e avós precisam combinar abordagens sobre disciplina e rotina. Os avós também podem e devem estabelecer limites, mas com afeto: «Eu gosto muito de você, mas isso que você está fazendo não está ajudando; vamos conversar».
- Dina Frutuoso tem 86 anos e estuda relações intergeracionais há décadas.
- É autora de Memórias Afetivas e concedeu entrevista à revista Crescer (Globo).
- Dormiu com a avó analfabeta dos 8 aos 22 anos — experiência que moldou sua trajetória.
- Avós oferecem afeto, identidade, memória e tempo sem pressa.
- Acordos entre pais e avós são essenciais para uma dinâmica familiar saudável.
- Incluir bisavós na vida familiar, mesmo em casas de repouso, fortalece os vínculos.
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