Por Que as NTN-Bs Estão no Radar de Preocupações?

Bruno Serra, ex-diretor do Banco Central do Brasil e gestor do fundo Itaú Janeiro, emitiu um alerta relevante para quem tem títulos públicos indexados ao IPCA, as chamadas NTN-Bs. O argumento é direto: com a inflação perto de zero, o ganho real desses papéis vai encolher bastante.

Qual É a Projeção Dele Para o IPCA?

Serra projeta que o IPCA — índice oficial de inflação do Brasil — deve ficar com média próxima de zero nos próximos meses. Esse cenário representa uma virada brusca em relação ao ambiente de inflação elevada que tornou as NTN-Bs tão atrativas nos últimos anos.

Como a Inflação Baixa Corrói o Retorno das NTN-Bs?

As NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional série B, também negociadas como Tesouro IPCA+) pagam uma taxa de juros real fixa somada ao IPCA acumulado. Quando a inflação despenca para perto de zero, a parcela do IPCA no rendimento quase desaparece. Sobra apenas a taxa real, que pode não compensar o risco do papel a depender do prazo e do perfil do investidor.

O Que Acontece com a Taxa Selic no Ano Que Vem?

Além da visão sobre o IPCA, Serra espera que a Selic caia em 2026. O motivo seria uma retração forte da atividade econômica, que forçaria o Banco Central a afrouxar a política monetária. Com a Selic menor, a taxa real oferecida em novas emissões também tende a recuar, comprimindo os rendimentos futuros.

O Que Fazer Com a Carteira?

Para investidores pessoa física, fundos e estrangeiros com exposição ao Tesouro IPCA+, o cenário descrito por Serra é um lembrete para revisar a alocação. Diversificar entre classes de ativos e prazos de vencimento ganha importância quando a inflação — principal motor do retorno das NTN-Bs — ameaça ficar perto de zero.

Pontos-chave:
  • Bruno Serra é ex-diretor do Banco Central e gestor do fundo Itaú Janeiro.
  • Ele projeta IPCA médio próximo de zero nos próximos meses.
  • NTN-Bs pagam taxa real fixa + IPCA; inflação perto de zero elimina a parcela de correção.
  • Serra espera retração forte da economia brasileira.
  • Prevê queda da Selic em 2026 como resposta à desaceleração econômica.