Por que as reservas de petróleo do Brasil correm risco?
O Brasil perfurou apenas 19 poços exploratórios em 2025 — número superior ao mínimo histórico de 10 em 2024, mas muito aquém dos 150 poços do ano recorde de 2011. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que registra a série histórica desde 1998, o cenário atual ameaça reverter 15 anos de crescimento de produção.
Como foi a queda na exploração desde 2011?
Após o pico de 2011, a atividade despencou: 122 poços em 2012, 65 em 2013, 41 em 2014 e 43 em 2015. De 2016 em diante, nenhum ano ultrapassou 20 poços exploratórios. Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell Brasil, classificou o movimento como "uma queda vertiginosa" com impacto direto nos próximos dez anos de produção.
Quais fronteiras seguem inexploradas?
Telmo Ghiorzi, presidente da Abespetro, destacou que entre 2018 e 2024 não houve nenhuma perfuração em áreas de nova fronteira. Entre os 19 poços de 2025, o Poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, levou 12 anos de licenciamento ambiental antes de ser iniciado — um caso emblemático da morosidade do processo.
O que precisa mudar?
Especialistas apontam dois caminhos: mais leilões de blocos para atrair investimento e um licenciamento ambiental mais ágil e previsível. Claudio Nunes, diretor-executivo do IBP, ressalta que até os campos maduros do pré-sal têm seus reservatórios em declínio, tornando novas descobertas indispensáveis. Ghiorzi lembra que a Noruega, país de alta renda, perfura muito mais poços novos no Mar do Norte do que o Brasil — um contraste que deveria servir de alerta.
- 19 poços exploratórios perfurados no Brasil em 2025 (ANP)
- Mínimo histórico: 10 poços em 2024, o menor da série desde 1998
- Recorde: 150 poços em 2011
- Desde 2016, nenhum ano superou 20 poços exploratórios
- Poço Morpho (Foz do Amazonas): 12 anos de licenciamento ambiental
- Nenhum poço em novas fronteiras entre 2018 e 2024
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