Quem lucra mais no comércio bilateral?
Os dados do Departamento do Censo dos EUA mostram que, ao longo de 41 anos de comércio de bens, o Brasil acumulou um déficit de US$ 144 bilhões (R$ 734 bilhões) com os Estados Unidos. Washington registrou saldo positivo em 26 desses 41 anos, o que torna o Brasil uma fonte consistente de superávit para os americanos.
O que muda quando serviços entram na conta?
Incluindo serviços, o quadro é ainda mais expressivo. O Departamento de Análise Econômica (BEA) dos EUA aponta que, entre 2000 e 2025, os americanos acumularam US$ 480 bilhões (R$ 2,4 trilhões) de superávit com o Brasil. Mesmo assim, o governo Trump impôs tarifa de 25% sobre exportações brasileiras e uma taxa adicional de 12,5% alegando falhas no combate ao trabalho escravo.
O que disseram os autoridades americanas?
Na sabatina no Senado americano, o indicado para a embaixada dos EUA em Brasília, Daniel Perez, reconheceu o superávit expressivo do seu país, mas evitou justificar as novas tarifas: "Essa tarifa foi implementada quando eu estava dormindo. Vou me informar melhor nas próximas semanas". Já Jamieson Greer, chefe da USTR, argumentou que barreiras não tarifárias e regulatórias do Brasil ainda justificariam as medidas.
Por que a balança oscila?
A cientista política Cristina Pecequilo, da Unifesp, explica que as oscilações não dependem do partido americano no poder, mas do grau de autonomia do Brasil. Quando Brasília busca reformar a ordem global ou se reposicionar regionalmente, a pressão americana tende a aumentar. Entre 1985 e 1995, o Brasil chegou a ter saldos positivos com os EUA. O quadro foi se invertendo durante o governo FHC, com a expansão das compras de aeronaves, veículos, eletrônicos e equipamentos de telecomunicações americanos. O governo brasileiro rechaçou as novas tarifas e voltou a invocar o princípio da reciprocidade.
- Brasil acumulou déficit de US$ 144 bi (R$ 734 bi) em bens com os EUA em 41 anos.
- Superávit americano em bens e serviços chegou a US$ 480 bi (R$ 2,4 tri) entre 2000 e 2025.
- EUA tiveram saldo positivo em 26 dos 41 anos da série histórica.
- Trump impôs tarifa de 25% às exportações brasileiras e 12,5% por combate ao trabalho escravo.
- Indicado à embaixada Daniel Perez admitiu o superávit, mas não justificou as tarifas.
- Brasil respondeu invocando reciprocidade e rejeitando as sanções.
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