O que a Alliança Saúde pediu à Justiça?

Na quarta-feira, 5 de agosto, a Alliança Saúde protocolou na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo o pedido de homologação do seu plano de recuperação extrajudicial. Nessa modalidade, prevista na Lei de Recuperação Judicial e Falências, a empresa negocia diretamente com os credores e recorre ao Judiciário apenas para oficializar o acordo — um caminho mais ágil do que a recuperação judicial tradicional.

Qual é o tamanho da dívida envolvida?

O plano abrange cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas. Mais de 83 credores já aderiram, entre instituições financeiras, fornecedores, prestadores de serviços e proprietários de imóveis e equipamentos. Juntos, eles representam aproximadamente 54% das dívidas incluídas na recuperação — percentual suficiente para atender ao quórum legal exigido para a homologação.

Quais são as opções oferecidas aos credores?

  • Conversão em ações: O credor pode trocar o valor devido por participação acionária na Alliança Saúde (AALR3 na B3). Mais de 92% do valor das dívidas dos credores já aderentes será convertido em equity. No fechamento de 5 de agosto, o papel estava cotado a R$ 3,15, com queda acumulada de cerca de 37% no ano.
  • Parcelamento: Pagamento de 30% da dívida em 11 parcelas anuais, após carência de um ano; os 70% restantes seriam perdoados.
  • Opção para credores menores: Pagamento de até R$ 15 mil em parcela única em até 180 dias após a homologação.

O plano também prevê condições específicas para fornecedores estratégicos e proprietários de imóveis alugados pela empresa, com formas diferenciadas de pagamento para preservar as relações comerciais. As negociações com demais credores seguem em andamento.

Por que a reestruturação foi necessária?

Segundo a Alliança, o processo foi iniciado após mudança no controle da companhia, que detém marcas como o laboratório CDB. A empresa aguarda novas adesões antes e depois da decisão judicial.

Pontos-chave:
  • Dívida em negociação: ~R$ 1,1 bilhão
  • Credores aderentes: mais de 83, com ~54% da dívida coberta
  • Principal opção: conversão em ações (mais de 92% do valor aderido)
  • Alternativa: 30% em 11 parcelas anuais; 70% perdoado
  • Credores menores: até R$ 15 mil em parcela única em 180 dias
  • Cotação de AALR3 em 5/8: R$ 3,15 (–37% no ano)
  • Vara responsável: 2ª Vara de Falências e RJ de São Paulo