Por que o empresariado resiste a Lula às vésperas de 2026?
O núcleo político da campanha de Lula reconhece que o presidente perdeu oportunidades, desde 2023, de construir uma interlocução mais próxima com o setor privado. Aliados afirmam que havia interesse dos empresários em ampliar o contato direto, mas as aberturas não foram aproveitadas, aprofundando o distanciamento entre o governo e o mundo corporativo.
O que gerou a última reação negativa do mercado?
A tensão aumentou após uma entrevista de José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo do PT, ao jornal O Globo. Ele afirmou que um eventual Lula 4 poderia prever aumento de gastos, ampliação do escopo dos bancos públicos, controles de fluxos de capitais e avanço na tributação de renda financeira. A declaração gerou reação negativa no mercado, e o presidente do PT, Edinho Silva, foi a público relativizar as falas.
Quem é agora o porta-voz econômico da campanha?
Diante da turbulência, a campanha definiu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, como o único interlocutor oficial para temas econômicos. Edinho Silva confirmou que Durigan é "o porta-voz na economia". A campanha também orientou que divulgações sobre o programa econômico fossem restritas para evitar novos ruídos junto ao mercado.
A campanha conseguirá reverter o cenário antes de outubro?
Integrantes da cúpula política da campanha intensificaram os esforços nas últimas semanas para reconstruir a ponte com o empresariado, mas os resultados ainda são limitados. A estratégia passou a ser evitar anúncios ou promessas que possam provocar turbulências no mercado durante a campanha. Em paralelo, Gabrielli reuniu-se com representantes do mercado financeiro na metade de julho.
- A campanha admite que Lula se distanciou do empresariado ao longo do terceiro mandato (desde 2023).
- Gabrielli propôs controles de capitais, ampliação de bancos públicos e tributação de renda financeira.
- Dario Durigan foi definido como único porta-voz econômico da campanha.
- Estratégia: evitar anúncios econômicos que gerem volatilidade antes da eleição de outubro.
- Rejeição do empresariado a Lula segue elevada mesmo com ressalvas ao adversário Flávio Bolsonaro.
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