Por que o teto de juros pode afastar os bancos do consignado privado?
Fernando Rocha, chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, alertou nesta quinta-feira (30/07) que a limitação de juros no crédito consignado para trabalhadores do setor privado pode tornar a modalidade menos atrativa para as instituições financeiras. Segundo ele, numa análise econômica padrão, controle de preço impacta a quantidade ofertada.
Quais são as novas regras do Crédito do Trabalhador?
Em junho, o Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado divulgou normas para o uso do saldo do FGTS como garantia em operações de crédito mais baratas. A taxa está limitada a 1,99% ao mês. O trabalhador pode oferecer como garantia 35% das verbas rescisórias, 100% da multa do FGTS e 10% do saldo no fundo. O crédito consignado tem as parcelas descontadas diretamente na folha de pagamento.
O que mostram os dados de junho?
O saldo das operações atingiu R$ 113,3 bilhões em junho, alta de 3,8% sobre maio e avanço de 143,1% em 12 meses. As concessões, porém, recuaram 1% para R$ 7,68 bilhões, estabilizando-se abaixo de R$ 8 bilhões mensais. A taxa média anual ficou em 54%, com alta de 0,1 ponto percentual em relação a maio e queda de 2,3 pontos em 12 meses.
Há aspectos positivos no programa?
Rocha afirmou que o programa tem "méritos inegáveis". O uso do FGTS como garantia pode elevar a percepção de segurança da operação, reduzir juros e estimular novas contratações. Com mais de um ano de funcionamento, bancos e tomadores estão mais aptos a avaliar as condições de crédito, o que contribui para a estabilização das concessões mensais.
- Teto de juros: 1,99% ao mês para o consignado privado
- Saldo total: R$ 113,3 bilhões em junho (+3,8% em relação a maio; +143,1% em 12 meses)
- Concessões mensais: R$ 7,68 bilhões em junho (-1% vs maio)
- Taxa média anual: 54% (+0,1 pp vs maio; -2,3 pp vs 12 meses)
- Garantias: 35% das rescisórias, 100% da multa do FGTS, 10% do saldo do fundo
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