Por que os preços dos alimentos devem subir até 2027?

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) emitiu um alerta preocupante: uma nova onda de inflação alimentar global está se formando. O economista-chefe da FAO, Máximo Torero, afirmou à Reuters que os preços das commodities agrícolas devem começar a subir com mais força ainda este ano, com impacto mais intenso nos alimentos no fim de 2026 e ao longo de 2027.

Quanto tempo leva para o aumento chegar ao carrinho de compras?

Segundo Torero, a transmissão da alta das commodities para o preço pago pelo consumidor costuma levar de três a seis meses. Para o brasileiro que já sente o peso das contas no supermercado, isso significa que o pior ainda está por vir.

O que está elevando os custos de produção agrícola?

A combinação de fatores é preocupante: alta do petróleo, redução da oferta de fertilizantes vindos da região do Golfo, escassez de diesel em partes do mundo e eventos climáticos extremos ligados ao El Niño. Todos esses elementos pressionam os custos de produção e transporte dos alimentos.

Por que o Estreito de Ormuz preocupa o setor agrícola?

Torero destacou que o estreito, por onde passa grande parte do petróleo e gás natural comercializados no mundo, tornou-se um fator de risco central. O petróleo Brent é usado no bombeamento de água, nas embalagens, no processamento e no transporte. O gás natural é essencial para a produção de fertilizantes. Os ataques da Ucrânia à infraestrutura russa de petróleo e gás reduziram ainda mais a oferta disponível para exportação.

Quais alimentos já estão mais caros?

Os preços do trigo, milho e arroz subiram nos últimos meses, embora ainda reflitam boas safras recentes e não incorporem plenamente as dificuldades previstas para o próximo ciclo agrícola. Como os preços das commodities são determinados no mercado global, o Brasil sente os efeitos mesmo sendo um grande produtor.

Pontos-chave:
  • A FAO prevê alta dos alimentos até o fim de 2026 e ao longo de 2027.
  • O impacto das commodities no consumidor chega com 3 a 6 meses de defasagem.
  • Fatores de risco: guerra Irã-Israel, conflito na Ucrânia, El Niño, petróleo e fertilizantes.
  • O Estreito de Ormuz é ponto crítico para insumos agrícolas globais.
  • Trigo, milho e arroz já registraram alta recente nos mercados internacionais.