Por que o preço do cobre está batendo recordes?

Na Bolsa de Metais de Londres (LME), os contratos futuros de cobre para três meses — os mais negociados — eram cotados a US$ 13.791 por tonelada, aproximando-se da máxima histórica de US$ 14.527,50 registrada em 29 de janeiro. O metal tem se mostrado mais resiliente do que outros não ferrosos, como alumínio e níquel.

Qual é o papel da inteligência artificial nessa alta?

O cobre é insumo essencial para a infraestrutura de IA: é utilizado nas redes elétricas que abastecem data centers. Os veículos elétricos também consomem de três a quatro vezes mais cobre do que os movidos a gasolina, ampliando a demanda estrutural pelo metal.

Quais problemas de oferta estão pressionando os preços?

A mina de Grasberg, na Indonésia — segunda maior do mundo em produção —, foi atingida por um deslizamento de terra em setembro do ano passado. A expectativa era de que voltasse a operar com 85% da capacidade no segundo semestre deste ano, mas a previsão foi revisada para apenas 65%.

Como as ameaças tarifárias dos EUA afetam o mercado?

Em julho de 2025, o governo Trump sinalizou a possível criação de uma tarifa de 15% sobre o cobre refinado, com início previsto para 2027, sem anúncio oficial. Antecipando-se à medida, compradores americanos elevaram os estoques na bolsa Comex, em Nova York, em mais de 40% desde o início do ano, o que fez os níveis nos armazéns da LME caírem ao menor patamar em cerca de cinco meses.

Como está a situação na China?

A China responde por 60% do consumo mundial de cobre e é a maior produtora global, mas as exportações para os EUA aprofundam a escassez interna. No final de julho, os estoques na Bolsa de Futuros de Xangai estavam em cerca de 69 mil toneladas — o menor nível em dois anos e meio e uma queda de 80% em relação ao pico de meados de março. O