Como é feita a produção do foie gras?

O foie gras — «fígado gordo» em francês — é produzido com o fígado de patos ou gansos submetidos ao gavage: um tubo metálico é introduzido no esôfago da ave para forçar a ingestão de grandes quantidades de alimento. As sessões ocorrem duas a três vezes ao dia nas últimas duas a três semanas de vida das aves, com o objetivo de aumentar o fígado em até dez vezes o tamanho normal.

Quais são os danos causados pelo gavage?

De acordo com George Sturaro, diretor de políticas públicas da ONG Mercy For Animals, o processo provoca lesões na garganta, no esôfago, na face e no bico do animal, além de alterações no metabolismo e estresse térmico. Patrycia Sato, presidente da Alianima, destaca que as aves frequentemente fogem quando o funcionário se aproxima, pois o procedimento se torna um manejo violento.

O que a nova lei brasileira proibiu?

No dia 24 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto de lei que proíbe a produção e a venda de produtos obtidos por alimentação forçada de animais. A norma, publicada no Diário Oficial da União, abrange o foie gras tanto in natura quanto enlatado. Quem descumprir a regra pode ser punido com prisão de três meses a um ano e multa, conforme a Lei de Crimes Ambientais.

Por que a medida reacendeu a tensão com a França?

A França é a maior produtora mundial de foie gras. Segundo o Cifog, o Brasil representava um mercado anual de aproximadamente 1 milhão de euros, concentrado em restaurantes de alto padrão e importadores das grandes cidades. Ainda antes da sanção, a entidade francesa havia pedido intervenção diplomática da União Europeia. Em maio, o Cifog classificou a futura proibição como uma «primeira violação» do acordo de livre-comércio entre Mercosul e UE.

Pontos-chave:
  • Gavage: 2 a 3 sessões diárias nas últimas 2 a 3 semanas de vida das aves
  • O fígado pode crescer até 10 vezes o tamanho normal
  • Pena para infratores: 3 meses a 1 ano de prisão mais multa
  • Mercado brasileiro de foie gras: ~1 milhão de euros/ano (Cifog)
  • Cifog considera a proibição possível violação do acordo Mercosul–UE