Por que a Shein enfrenta dificuldades para justificar o valuation de até US$ 50 bilhões?
No domingo, a Shein protocolou o prospecto de seu IPO em Hong Kong, revelando dados que preocupam investidores institucionais. A receita cresceu 8%, para US$ 41,8 bilhões em 2025, mas o lucro líquido despencou 39%, para US$ 2,06 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, a varejista registrou prejuízo líquido de US$ 99 milhões.
O que a margem operacional de 2,9% revela?
Winston Ma, do Global Public Investment Funds Forum e ex-diretor-gerente da China Investment Corporation, destacou que os investidores da Bolsa de Hong Kong vão se concentrar exatamente nesse número. A leitura do mercado tende a migrar: a Shein deixa de ser vista como plataforma de tecnologia em hipercrescimento e passa a ser avaliada como varejista físico e empresa de logística operando num ambiente de alto atrito no comércio global.
Como o fim do de minimis impactou os resultados?
A extinção da isenção americana para compras de até US$ 800 elevou custos e desacelerou as vendas nos EUA. A Shein afirmou que avalia alternativas, incluindo aumento de preços no mercado norte-americano. Na Europa, novas tarifas sobre importações de baixo valor representam outro obstáculo — o prospecto admite que o impacto europeu pode ser «compatível ou até superior» ao americano.
Quem pode se beneficiar das dificuldades da Shein?
O Citi apontou, em relatório, que os problemas da Shein na Europa podem reduzir a pressão competitiva no segmento de moda de baixo custo, beneficiando redes como Primark e H&M. Para vendedores brasileiros de e-commerce, a menor concorrência de importados baratos pode abrir espaço no mercado interno.
A avaliação privada já havia caído antes do IPO?
Sim. O prospecto mostra que o valuation recuou de US$ 98,2 bilhões, após rodada de 2022, para US$ 64 bilhões em 2024. Shen Meng, do banco boutique Chanson & Co., avalia que uma valorização expressiva no IPO de Hong Kong é improvável.
- Shein busca valuation entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões no IPO de Hong Kong
- Receita 2025: US$ 41,8 bilhões (+8%); lucro líquido: US$ 2,06 bilhões (−39%)
- Prejuízo no 1º trimestre de 2026: US$ 99 milhões (inclui ajuste contábil de US$ 328 milhões)
- Margem operacional: 2,9%
- Valuation privado caiu de US$ 98,2 bi (2022) para US$ 64 bi (2024)
- Fim do de minimis nos EUA e novas tarifas europeias pressionam custos
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