O que é a mola gestacional?

A mola gestacional é um tumor benigno causado por um erro na fertilização. Na mola incompleta, um espermatozoide com DNA duplicado — ou dois espermatozoides — fecunda um óvulo normal, gerando uma placenta imperfeita e um embrião com anomalias genéticas incompatíveis com a vida. Na mola completa, um óvulo sem DNA é fecundado da mesma forma, resultando apenas em uma placenta anormal, sem embrião.

Quando a mola pode virar câncer?

Quando células da mola se instalam no útero, pode se desenvolver o câncer de placenta (neoplasia trofoblástica gestacional). Isso acontece em menos de 5% das mulheres com mola parcial, mas em uma em cada cinco com mola completa. Nos casos mais agressivos, pode haver metástase — principalmente no pulmão.

Qual é a frequência no Brasil?

Segundo o professor Antônio Braga, obstetra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional da Maternidade Escola — o terceiro centro mais importante do mundo na área —, uma em cada 200 a 400 gestantes no Brasil desenvolve a doença. Nos Estados Unidos, essa taxa é de 1 para 1.000; no Reino Unido, de 1 para 2.000. As razões para a diferença ainda são investigadas: fatores genéticos, imunológicos e alimentares estão entre as principais hipóteses.

Como é feito o diagnóstico?

A maioria das pacientes descobre a mola em um ultrassom de rotina após confirmar a gravidez por exame de sangue ou urina — assim como aconteceu com a terapeuta ocupacional Daiana Nascimento, que em menos de um mês passou da notícia da gravidez ao diagnóstico de câncer de placenta.

Por que a mola precisa ser retirada com urgência?

Se não tratada, a mola pode causar sangramento uterino, alterações na tireoide e mudanças perigosas na pressão arterial. A remoção imediata é essencial nos dois tipos de mola.

Pontos-chave:
  • A mola gestacional resulta de erro na fertilização, e não de hábitos da paciente.
  • Mola completa: apenas placenta anormal, sem embrião; mola incompleta: placenta defeituosa + embrião inviável.
  • Até 20% dos casos podem evoluir para câncer de placenta.
  • No Brasil, a taxa é de 1 em cada 200–400 gestações — muito superior à dos EUA ou do Reino Unido.
  • O ambulatório da UFRJ é o terceiro centro mais importante do mundo na área.
  • Principal local de metástase, quando ocorre: o pulmão.